SHOW DE HIPOCRISIA

Moro foge dos fatos e ataca jornalistas

Foto: Alessandro Dantas

Discurso ensaiado, evasivas e memória seletiva: esse foi o script do depoimento do ministro da Justiça Sergio Moro, que compareceu à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, nesta quarta-feira (19), para tratar das denúncias do site noticioso The Intercept Brasil. A oitiva de Moro se estendeu das 9:16 às 17:49h, mas o ministro de Bolsonaro disse muito pouco.

Blindado pela base bolsonarista, Moro deixou sem resposta as perguntas “inconvenientes” formuladas pelos senadores que pretendiam esclarecer as acusações trazidas à tona pelo Intercept — mensagens trocadas entre o então juiz, a quem cabia julgar os processos da Lava Jato, e uma das partes nesses processos, os responsáveis pela acusação, o que configuraria conluio.

Dois mantras

Moro também se esquivou diversas vezes de responder se autorizaria o aplicativo Telegram de divulgar a íntegra dos arquivos de suas mensagens que poderiam estar armazenados no servidor.

Em lugar de responder perguntas e esclarecer fatos, Moro usou e abusou de dois recursos. O primeiro foi tentar desqualificar as acusações levantadas pelo Intercept de “sensacionalismo” — apenas nas primeiras 7 horas de depoimento ele repetiu essa palavra, ou o adjetivo “sensacionalista”, nada menos do que 62 vezes. Um “mantra” diversionista, como notou o senador Cid Gomes (PDT-CE).

“O senhor falou não sei quantas vezes em sensacionalismo. O norte principal da Lava Jato para ganhar apoio popular era o sensacionalismo. Eu assisti pessoalmente. Antes de a PF chegar para prender, estava lá a grande imprensa”, cobrou o senador Paulo Rocha (PT-PA).

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