Saiu na imprensa

‘Modelo de Correios privatizado não serve para o país’, diz senador

Para o senador Paulo Rocha, setor privado não atenderá com eficiência quem vive em locais de difícil acesso no interior do país
Senador Paulo Rocha esteve em audiência no Senado sobre a privatização dos Correios. Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado

Caso os Correios sejam privatizados, o setor privado não dará conta de resolver os problemas de falta de prestação de serviços ‘nos rincões’ do país. É o que acredita o líder do PT no Senado, Paulo Rocha (PA). A afirmação ocorreu durante debate sobre o tema na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, nesta quarta-feira (20).

Para o senador petista, a situação similar ocorreu no setor de telecomunicações. Apesar da privatização, até hoje não há internet disponibilizada em diversas regiões e, em especial, nas escolas no interior do país.

“O Estado cumpre papel fundamental para gerar cidadãos nesses rincões. Não queremos apenas cidadãos nas regiões com estrutura. Temos de nos preocupar com aqueles que moram lá no meio da floresta. A cidadania tem de chegar também a eles, e o responsável por isso é o Estado brasileiro e os serviços públicos”, disse.

Segundo o senador, o governo só repassa, ao setor privado, os serviços públicos que geram lucros, como é o caso dos Correios e das telecomunicações. No entanto, acrescenta ele, essas empresas “só vão atrás de [locais] onde haja lucratividade”.

“Onde não houver lucratividade, a empresa privada não vai porque sempre busca retorno [financeiro]. A universalização não chega lá, e o investimento só chegará via tarifas. Esse é um modelo que, sinceramente, não serve para o país. Não somos contra privatizações, mas há outros modelos, como o das parcerias público-privada, que buscam mediações para investimentos privados, o que pode ser feito na logística e na infraestrutura”, argumentou.

O projeto de privatização dos Correios já foi aprovado na Câmara, mas está parado no Senado.

A posição do senador foi repercutida na Folha de S.Paulo, Valor Econômico, Tecnoblog e Agência Brasil