Política do governo Bolsonaro gera caos na Amazônia

Não bastasse a crise econômica e a pandemia de coronavírus, outro risco avança com fúria sobre a região Norte: o aumento da devastação ilegal das florestas.

Segundo dados obtidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), nos últimos oito meses, a Amazônia teve mais de 5 mil quilômetros quadrados devastados entre agosto de 2019 e março de 2020. Para se ter uma ideia, essa área é quase equivalente ao tamanho do território do Distrito Federal.

Uma das situações mais preocupantes é a do Pará, que concentrou 44% de todo o desmatamento amazônico no ano passado. No início do mês de abril, em reunião virtual com o vice-presidente Hamilton Mourão, o governador do Estado Helder Barbalho chegou a cobrar reforço imediato de ações repressivas para fiscalização por parte do governo federal.

A gestão de Jair Bolsonaro vem sendo cobrada e até investigada em relação às fiscalizações ambientais. Nesta semana, o Ministério Público Federal afirmou que vai investigar o motivo da exoneração do ex-diretor de Proteção Ambiental do Ibama, Olivaldi Azevedo. A demissão ocorreu poucos dias depois de uma operação para reprimir a invasão de garimpeiros e grileiros a terras indígenas no Pará.

O tema é motivo de preocupação no Congresso Nacional. Para o senador Paulo Rocha (PT-PA), o governo federal é culpado por boa parte do estado caótico na região Norte do país.

“Não basta a crise econômica e a crise econômica: na Amazônia, avança o desmatamento. Desmatamento criminoso. Isso é consequência da política nefasta que vem do próprio governo federal, que desmantelou todo o processo de proteção ambiental. Isso tem outras consequências. Aumentou o crime em cima das lideranças indígenas, que tentam proteger as suas terras, mas são eliminados. Isso é um verdadeiro genocídio que é pregado pelo governo federal.”

Uma das preocupações com as invasões de terra na Amazônia é a chegada do coronavírus às aldeias, que não contam com a mínima estrutura para lidar com a pandemia.