Fala de Bolsonaro na ONU pode afetar agronegócio

O discurso do presidente Jair Bolsonaro na Assembleia-Geral da ONU pode ter reflexos negativos em acordos comerciais e na relação com investidores estrangeiros. A afirmação é do embaixador aposentado com mais de quatro décadas de carreira no Itamaraty, o diplomata Rubens Ricupero.

Em entrevista ao portal do Estadão, Ricupero afirma que negação do desmatamento da Amazônia desperdiça o que, para ele, foi o “único trunfo” do Brasil no exterior, que é o prestígio pela condução de sua diplomacia do meio ambiente.

Ricupero classificou o discurso como “desastroso” e disse que não há algo parecido com a participação de outros representantes brasileiros na Assembleia-Geral.

Bolsonaro considerou incômodas as críticas ao seu discurso. Ele afirmou ter assistido a própria fala novamente e não considerou suas posições agressivas.

Durante a fala na ONU, Bolsonaro chegou a questionar os motivos das queimadas na Amazônia e lançou diversas acusações de cunho ideológico, o que foi mal recebido pela comunidade internacional.

Para o líder do bloco PT-PROS no Senado, Paulo Rocha, do PT do Pará, o presidente disse tudo, menos a verdade durante a sua fala.

“Lá na ONU, o Capitão, que fala tudo, falou tudo, menos a verdade. Mente quando afirma que a Amazônia se mantém praticamente intocada em seu Governo. Mente quando fala que as gigantescas queimadas na Amazônia verificadas no seu Governo foram provocadas pela seca, pelos indígenas e pelas populações locais. Mente quando acusa a própria ONU de apoiar o trabalho escravo dos médicos cubanos sem certificação. Com sua visão paranoica e arcaica, atacou os indígenas brasileiros e suas lideranças autênticas. Bolsonaro também omite! Omite que apoia a devastação da Amazônia, além de questionar o aquecimento global e a ciência de um modo geral”.