crise sem fim

Paulo Rocha: Congresso deve administrar conflitos e encontrar soluções para a crise

Parlamentar ainda criticou o direcionamento da operação Lava Jato e o desvirtuamento das instituições democráticas em nome de uma suposta moralização da política
Foto: Jefferson Rudy

O senador Paulo Rocha (PT-PA) defendeu nesta quarta-feira (12) sobriedade do Congresso Nacional para que o País possa sair da crise política, econômica e social na qual está instalada.

Para o senador, a Câmara e o Senado devem chamar para si a responsabilidade diante das manifestações dadas pelo governo Bolsonaro de manutenção do clima de acirramento dos ânimos e diminuição de espaço para o diálogo.

“Esta Casa que é a esperança do povo, a mãe da Democracia, precisa administrar os conflitos, os interesses da sociedade. Onde é que um presidente da República eleito, ao ver uma manifestação legítima, ataca os cidadãos chamando-os de imbecis, inúteis?”, questionou, citando o posicionamento de Bolsonaro durante as manifestações contra os cortes no orçamento da educação pública.

Ao contrário do posicionamento até o momento apresentado por Bolsonaro e seus aliados, o senador Paulo Rocha afirma que os governos precisam atuar de forma republicana e pautados na busca de saídas para os problemas existentes. “Precisamos pensar em investimentos, solucionar o desemprego, diminuir as diferenças regionais. Assim que vamos solucionar os problemas do Brasil”, disse.

Críticas ao juiz Sérgio Moro

O senador também teceu críticas ao desvirtuamento das instituições promovido pela operação Lava Jato em nome da moralização do Brasil. De acordo com o senador, permitiu-se inclusive a confusão entre os papéis do Ministério Público e de setores do Poder Judiciário como relatam reportagens do The Intercept Brasil.

“Em nome da moralização do País, confundiram o papel do Ministério Público e de setores do Judiciário. E a despeito de moralizar a política, usaram desse processo para participar da política. Não venham me dizer que o senhor [Sérgio] Moro é imparcial”, destacou o senador ao apontar a diferença de postura do ex-juiz com a divulgação de suas conversas e a divulgação do grampo ilegal feito no Palácio do Planalto que captou conversas da então presidenta Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula.

“Moro usou um grampo no Palácio do Planalto para ajudar forças políticas a desalojarem do poder uma presidenta eleita democraticamente. Agora a obtenção das informações com os mesmos métodos utilizados por ele, se torna contrária a segurança nacional”, enfatizou.

O senador ainda questionou os colegas que apoiam incondicionalmente a operação Lava Jato e seus métodos de combate a corrupção sobre a ausência de discursos e cobranças para que o combate a corrupção empenhado pela Lava Jato não atue em outras áreas onde há suspeita de práticas ilícitas.

“Por que a Lava Jato tão festejada por muitos [senadores] não resolve, por exemplo, o problema das milícias no Rio de Janeiro? A Lava Jato teria força para fazer com que o [Fabrício] Queiroz fosse depor. Isso chama-se parcialidade, direcionamento de investigação”, criticou.