Paulo Rocha

“Governo manipula números para atender mercado”

Senador cita alta taxa de desemprego e a estagnação econômica do país como os verdadeiros legados da gestão Bolsonaro
Foto: Alessandro Dantas

A estratégia do governo federal de usar medidas provisórias (MPs) para acabar com direitos conquistados há décadas foi duramente criticada pelo senador Paulo Rocha (PT-PA) nesta quinta-feira (6).

Ele usou como exemplo a MP 905/2019, do chamado Contrato de Trabalho Verde e Amarelo, que segundo as centrais sindicais retiram direitos e precarizam as relações de trabalho.

“Se nós apelidamos a PEC lançada pelo presidente Temer após o golpe de PEC do Fim do Mundo, porque ela limitava os chamados gastos públicos, imagine qual será o apelido para essa medida provisória [905]. Se aquela era do fim do mundo, essa aqui então…”, criticou o senador.

Para Paulo Rocha, o governo tem até mesmo manipulado números para prestar contas ao mercado externo, citando como exemplos a alta taxa de desemprego (11,9% no ano passado) e a estagnação econômica.

“Esse Governo foi eleito com tudo em nome de Deus e em nome de Deus, e a sua ação me parece que tem tudo a ver com Satanás. Não é possível tanta insanidade! É só ver os números, mas não aqueles publicados pelo governo; aqueles que aparecem nas ruas. Manipulam os números para poder prestar contas para os agentes do interesse internacional. A questão do desemprego, por exemplo. Onde cresceu o emprego no nosso país? Onde cresceu a economia?”, questionou.

A comissão mista que examina a MP 905 no Congresso Nacional aprovou o seu plano de trabalho nesta semana. De acordo com o plano, o relatório do deputado Christino Aureo (PP-RJ) será apresentado depois de quatro audiências públicas, no dia19 de fevereiro, e votado após o carnaval, em data ainda não agendada.

Em 27 de março esgota-se o prazo para votação da MP pela Câmara dos Deputados. Na falta de deliberação final do Senado, a MP perde a validade em 20 de abril.